PITA FOGO BARRETOS

PITA FOGO BARRETOS

domingo, 31 de outubro de 2010

Guarani é campeão da Série B2 do varzeano

O estreante Guarani é o campeão da Série B2 do campeonato varzeano da Liga Barretense de Futebol, temporada 2010, depois de vencer a Igreja Batista Reviver por 3 a 2, em dois jogos consecutivos.
O time campeão também conseguiu o acesso e tem o direito de disputar a Série B1 do campeonato varzeano em 2011.

A Igreja Batista Reviver é a vice-campeã da Série B2 e vai disputar a Série B1 no ano que vem.

sábado, 30 de outubro de 2010

PARTE 4 – Aumenta a fama de santidade

O crime considerado “hediondo” pela imprensa da época chocou e comoveu a cidade. O povo começou a visitar o túmulo da jovem:

-- Uma alma santa!

-- Uma inocente!

-- Uma virgem!

E começaram as orações, romarias, pedidos e promessas junto a tumba. Muita gente buscando lenitivo para seus padecimentos. A fama de santidade de Maria Aparecida começou a correr....
AQUINO JOSÉ NA ENTRADA DA CAPELINHA AO LADO DO CÓRREGO DO GAIÓLA

No Ibitu, outrora Itambé, populares construíram uma capelinha no lugar onde Maria Aparecida foi assassinada. A “igrejinha” está localizada ao lado de um canavial, próxima ao Córrego do Gaióla, na Fazenda Santa Luiza, de propriedade de Silvio Tomazini. Na semana que antecede a finados, havia no interior da edificação, uma cruz de madeira, vasos com flores, uma bíblia velha e duas bandeiras de Santos Reis penduradas ao teto.
INTERIOR DA IGREJINHA CONSTRUÍDA NO LOCAL ONDE A JOVEM FOI ASSASSINADA

Alguns moradores do Ibitu afirmaram que muita gente vai visitar o lugar onde o corpo da “santinha” foi encontrado.

-- Quando o sol forte castiga a roça e o mantimento está perdendo, o povo faz caminhada de penitência pedindo a intercessão de Maria Aparecida. E a chuva vê...., contou dona Luiza Lemos Gonçalves, uma moradora do distrito.

Maria Aparecida Conceição repousa na sepultura perpétua número 741, na quadra 1 Adulto. Defronte ao túmulo, foi construído um local apropriado para a queima de velas. Imagens, flores, terços, quadros, fotos, orações.... são deixados em sua tumba como lembranças de promessas. A busca de proteção, milagres e graças, atrai uma verdadeira romaria de devotos, principalmente às segundas-feiras da Quaresma e no Dia de Finados.
TÚMULO DE MARIA APARECIDA CONCEIÇÃO NO CEMITÉRIO MUNICIPAL  DE BARRETOS

4ª e última parte de reportagem publicada originalmente no Jornal O Diário, edição de 10 de março de 1991, com o título “Maria Aparecida Conceição: a santinha de Itambé”.

PARTE 3 – O assassino foi pra Casa de Detenção

O baiano Antonio Pires Cordeiro estava amasiado com a mãe de Maria Aparecida e trabalhava para José Neves Paixão, cuja família lhe dedicava muita estima.

-- Ele era muito trabalhador....., garantiu Doca.

Em outubro de 1942, o juiz Washington de Barros Monteiro determinou que o preso fosse conduzido sob escolta a Casa de Detenção de São Paulo.

Segundo Doca, na Casa de Detenção, Antonio Pires Cordeiro aprendeu e tornou-se um carpinteiro talentoso, gozando inclusive de certas regalias em virtude do bom comportamento. Seu ex-patrão sempre o visitava, insistindo para que ele retornasse a Barretos quando saísse da prisão. O detento sempre declinou o convite.

Ainda não se sabe o destino de Antonio Pires Cordeiro, bem como de Josefa da Conceição e sua filha Isaura Santana. Após o crime, a mãe e a irmã se mudaram de Itambé, não dando mais notícias.


3ª parte de reportagem publicada originalmente no Jornal O Diário, edição de 10 de março de 1991, com o título “Maria Aparecida Conceição: a santinha de Itambé”.

PARTE 2: Tirada a algema, o sangue jorrou

O corpo de Maria Aparecida Conceição foi conduzido até a Cadeia de Itambé (atualmente Ibitu) – onde hoje há um poço artesiano – sendo colocado numa mesa à espera da autoridade policial de Barretos.

-- Na sala onde o corpo ficou, pingava sangue vivo, formando uma poça que nunca secou. Muita gente não acredita, mas mesmo passado algum tempo, quando lavavam o piso da Cadeia, saía sangue vivo...., contou Abília Neves Paixão, a Doca, entrevistada aos 65 anos. Ela lembrou que na época do crime tinha 17 anos e foi uma das pessoas que encontraram o cadáver.

O corpo foi trasladado para Barretos num caminhão. Na capela do cemitério municipal, ficou à espera do legista. Muitos curiosos se aglomeravam para ver o cadáver.

O então funcionário municipal Sebastião Ferreira da Silva lembrou que o sangue continuava a pingar do corpo da jovem, sem talhar. Segundo ele, quando o médico chegou, não quis retirar a faca que ainda estava cravada no cadáver, pedindo que o assassino fosse trazido para efetuar tal operação.

-- Quando tiraram a algema de um dos pulsos do criminoso, o sangue jorrou do corpo da moça...., contou Sebastião Ferreira da Silva.

-- Ele deu a volta em torno da pedra e, de cabeça baixa, puxou a faca. O sangue correu na lâmina. Então, o delegado mandou retirá-lo rapidamente do local...., contou.

O ex-funcionário municipal recordou que Maria Aparecida foi enterrada com vestido branco, num caixão também branco. Um fato impressionou profundamente Sebastião Ferreira da Silva:

-- Quando peguei a morta para colocá-la no caixão, ela abriu os olhos e a boca. Parecia que queria dizer alguma coisa. Então eu disse: “pode falar”. Mas a moça não disse nada. Porém. Sua expressão me marcou para sempre.


2ª parte de reportagem publicada originalmente no Jornal O Diário, edição de 10 de março de 1991, sob o título “Maria Aparecida Conceição, a santinha de Itambé”.

PARTE 1: Maria Aparecida Conceição, a santinha do Ibitu

Um homem entrou na venda de José Neves, no Itambé, às 20 horas, daquele 10 de março de 1942. Tinha a roupa manchada de sangue.

-- Cometi uma arte e quero me entregar.... – disse.

-- Mas que arte você fez?

-- Vá você mesmo ver, perto de um pequeno córrego próximo da vila, pouco acima do arrozal. Lá está o que fiz.

Eduardo Borsato, o subdelegado de Itambé, o farmacêutico Reinaldo Pereira e Pascola Beraldi foram ao local indicado. Chegando, viram muita gente cercando o corpo de uma jovem de 16 anos. Foi morta com um tiro e várias facadas. A faca ainda estava cravada do lado direito. A mãe da jovem, Josefa da Conceição, gritava:

-- O assassino é o Antonio!....

Antes de matar a moça, Antonio Pires Cordeiro a encontrou a caminho junto com a sua irmã Isaura Santana, de 13 anos. A família havia se mudado para a vila e as jovens iam buscar as galinhas que já estavam no puleiro quando escureceu.

-- Então você não quer casar comigo, está me tapeando há muito tempo, -- disse ameaçador aquele lavrador, baiano de Juciabi, de 32 anos.

Não ouviu a resposta abafada da moça, dizendo “sim”. Ele a derrubou e lhe deu um tiro e as facadas.

Para escapar, a irmã da vítima refugiou-se num brejo, atolando no meio das taboas.


 
1ª parte de reportagem publicada originalmente no Jornal O Diário, edição de 10 de março de 1991, com o título "Maria Aparecida Conceição, a santinha de Itambé".

domingo, 17 de outubro de 2010

Gado impulsionou economia da região

Com a realização da 1ª Exposição Regional de Animais de Barretos e a inauguração do Recinto “Paulo de Lima Corrêa”, tomou impulso a comercialização de gado em Barretos. As vendas durante a Exposição superaram Cr$ 3 milhões. Muitos outros negócios foram iniciados durante o evento.

Segundo a imprensa da época, José Amêndola Neto, o Zequinha Amêndola, teria recusado vender a elegante “Penicilina” por Cr$ 200 mil, animal que ainda não tinha 12 meses de idade.

Mamed Mussi deixou de vender “Fidalgo”, a maior atração da Exposição, por Cr$ 1,4 milhão. Contudo, o criador barretense Nemércio Vilele Lemos vendeu ao pecuarista Oliveira Neves, de Belo Horizonte, 320 vacas por Cr$ 6,4 milhões.

Durante o período da Exposição, foi abatida no Frigorífico Anglo, uma boiada com 450 cabeças com peso médio de 20 arrobas. A boiada era de propriedade de Raul Dahas de Carvalho, conhecido pecuarista barretense.

Nos primeiros 5 meses de 1945, foram abatidos em Barretos 59.181 cabeças de gado e 1.345 suínos. O movimento de embarque de bovinos em Barretos, pela Companhia Paulista, somou 76.547 cabeças no mesmo período. Outros meio de transporte não eram computados.

- Publicado inicialmente no jornal Rural do Vale, edição de 15 a 30 de abril de 1995.

Exposição marca inauguração de Recinto em 1945

A 1ª Exposição Regional de Animais de Barretos aconteceu nos dias 17,18 e 19 de março de 1945, com a inauguração do Recinto Paulo de Lima Corrêa. A mostra foi organizada pela então Associação dos Pecuaristas do Vale do Rio Grande, hoje Sindicato Rural. O evento teve o patrocínio do Governo do Estado.

Na época, a “Associação” tinha como presidente Raul dos Santos. O vice era Sandoval Coimbra e o secretário geral, Jarbas Pinheiro Landim. Os secretários eram Tomaz de Almeida e Lourival Ribeiro de Mendonça. Os tesoureiros eram Joaquim Alves Franco Filho e Aramis Teodoro de Oliveira. O prefeito de Barretos era Fábio Junqueira Franco.

A inauguração oficial da Exposição e do Recinto aconteceu no dia 18 de março, às 15 horas. Entre as autoridades que prestigiaram o evento, os destaques foram Fernando Costa, interventor federal no Estado; professor Melo Morais, secretário da agricultura; general Luiz Gaudie Ley, comandante da Força Policial do Estado; e Iris Meinberg, presidente da União das Associações Agro Pecuárias do Brasil Central.

A 1ª Exposição movimentou a região. Barretos recebeu cerca de 5 mil visitantes, segundo avaliação do jornal “Correio de Barretos”, em matéria do jornalista Ruy Menezes. A cidade nunca tinha visto até então um número tão grande de automóveis. Mais de 2 mil carros circulavam pelas ruas de terra, fato extraordinário em 1945.

Os maiores pecuaristas do País compareceram ao evento e muitas festas aconteceram nas sedes das fazendas das imediações e nas casas dos grandes nomes da época. A corporação musical da Guarda Civil do Estado de São Paulo abrilhantou a Exposição.

Foram expostos animais das raças Gir, Guzerá, Nelore, Indusbrasil, Raças Holandesas e Nacionais. Várias provas hípicas foram realizadas. Havia ainda a participação de eqüídeos, ovinos e caprinos em exposição. A premiação aconteceu no dia 19 de março no Grêmio Literário e Recreativo, com a entrega de taças, troféus e prêmios em dinheiro.

O campeão absoluto da 1ª Exposição Regional de Animais de Barretos foi “Fidalgo”, do criador Mamed Mussi, na categoria Gir Macho com 4 dentes. No evento foram gastos mais de Cr$ 156 mil. Os organizadores realizaram uma vaquinha, através de livro de ouro, ajudar na cobertura das despesas. Entidades assistenciais barretenses foram beneficiadas com a doação de colchões e travesseiros que serviram aos hóspedes da Exposição.

- Publicado inicialmente no jornal Rural do Vale, edição de 15 a 30 de abril de 1995

sábado, 16 de outubro de 2010

Beijinho e Negrão fizeram sucesso na capital

Pouca gente sabe que a afamada dupla barretense Zé Beijinho e Benedicto Adão esteve nos anos 30 em São Paulo, revelando aos paulistanos as belezas até então ignoradas da música cabocla brasileira. Lá na capital, a dupla cantou no rádio, nas redações de jornais e chegou a gravar discos.

Agradou tanto, que o “Diário Nacional” do dia 19 de janeiro de 1930, publicou uma crônica a propósito dessas apresentações. José Alves de Souza, o “Beijinho”, e Benedicto Adão, o “Negrão”, eram cantadores do sertão que Cornélio Pires descobriu em Barretos, destacava o jornal. E eles cantaram em São Paulo, numa alusão a encalhada produção de café paulista:

“Quagi todos os fazendêro

Andava de Chevrolé;

Já estão andando a cavalo

Com a baxa do café”.

Entre tantos outros pedidos, lascaram “Os canaro”:

“Moço e moça quando casa

Sempre casa de má fé

Os trabaio vão chegando

A botina aperta nos pé”.

E pelo que consta, a dupla agradou aos ouvidos da época. Tanto, que ousaram cantar um verso muito erótico para aqueles tempos:

"Eu fui nascido em Barretos,

Criado em Araraquara,

Moça que está doente,

Chupando meu beiço sara!...."



Publicado originalmente no Jornal O Diário de Barretos, edição de 10 de julho de 1988.




sexta-feira, 15 de outubro de 2010

CAPITULO 5 – Prá sacolejar o pelo

Depois de uns dez noivados, o coração de Zé Gonçalves foi conquistado pela jovem Luiza Lemos. Embora muita gente duvidasse do casamento, há 68 anos foram pedir a benção ao vigário e “passar o preto no branco”. Vieram uma porção de filhos, netos, bisnetos.... No Natal e Ano Novo, quando a família se reúne, é um povaréu alegre no lar. Nascido na Vila Nova, em Barretos, e radicado no Ibitu desde 1941, o ex-subdelegado tem 87 anos. “Mas ta firme e forte”, segundo o fotógrafo Pancho, que esteve lá proseando e tomando um “goró”, dias destes.

Zé Gonçalves acredita no progresso de Ibitu, que mudou muito. Antigamente havia muita casa de pau a pique, agora todas são de alvenaria. O povoado tem iluminação, água, asfalto, postinho de saúde e de polícia. E algumas reclamações:

-- Falta supermercado, farmácia e padaria.

De acordo com Zé Gonçalves o patrimônio de Ibitu atinge 45 alqueires. Porém, a área ocupada é menor.

-- Os fazendeiros tomaram conta de tudo.

Zé Gonçalves é compositor nato e guarda tudo na memória, sem nenhum registro escrito. Folião de Reis desde os 7 anos, garante que não para com a devoção. As festas de Igreja continuam em sua memória. Não perde uma quermesse. Sorrindo, confessou que aprecia uma dança gostosa:

-- A tal lambada!....

E arrematou:

-- Gosto de dançar forró com a patroa. É pra sacolejar o pelo.



Quinta e última parte de texto publicado originalmente no Jornal O Diário de Barretos, edição de 27 de janeiro de 1991, sob o título: “Zé Gonçalves, um xerife no Ibitu”

CAPITULO 4 – Até galo mudou de terreiro

Zé Gonçalves lembrou a história do furacão que arrasou o lugarejo em 1926, quando Ibitu era conhecido por Itambé. O vento e a chuva de pedra derrubaram tudo. Não ficou um telhado. O povo se escondeu debaixo das mesas e camas.

-- Até galo mudou de terreiro!, exclamou.

E logo em seguida, ressaltou:

-- Mas marido não mudou de terreiro.

Segundo Zé Gonçalves, a chuva de granizo acabou atingindo cerca de um metro de altura nos acostamentos da estrada. A Igreja foi destruída. Só restou apenas ruína. Apenas uma velha cruz de madeira lembrava o templo onde hoje está instalada a escola do Distrito.

-- Antigamente, Ibitu tinha mais movimento, pois todo mundo tocava lavoura e gerava mais empregos. Havia até depósito de algodão.

E recordou com saudade dos tempos áureos do lugar que já teve farmácia, padaria, cinema mudo e banda de música.

-- Ibitu tinha a melhor banda de música da região. Uma vez conquistou o segundo lugar num concurso em que disputaram ainda Barretos, Jaboticabal, Olímpia e Bebedouro. Jaboticabal foi a campeã.



Quarta parte de texto publicado originalmente no Jornal O Diário de Barretos, edição de 27 de janeiro de 1991, sob o título: “Zé Gonçalves, um xerife no Ibitu”